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Curiosidade sobre o crepe

"Apesar da origem antiga, reivindicada por diferentes países, os crepes estão sempre em alta graças à capacidade de se renovar, incorporando novos ingredientes - doces ou salgados. Com disposição para encarar todo tipo de companhia, os crepes jamais saem de moda. Doces, salgados, quentes,  grandes, em tamanho miniatura, dobrados, enrolados, abertos ou sobrepostos,  com os mais variados recheios: picados, desfiados, pastosos, ou cremosos, eles sempre são bem vindos!!

      Sua origem é controversa, porém, seja qual for a versão que tomemos como verdadeira, não há dúvida: a receita é antiqüíssima. O nome em francês, crepe, deriva do termo crispus, em latim, que significa crespo. Em italiano, são chamadas de crespelle.Originalmente, eram assados em pedra quente, e mais tarde passaram a ser preparados em chapa redonda de ferro sobre o fogo. Há indícios de que suas raízes estejam no pão indiano chapati e nas panquecas chinesas. Mas os primeiros registros de crêpes foram feitos no século I, pelo gastrônomo romano Apicius, autor do receituário De re coquinaria.  Cozidos no ferro quente, iam à mesa com mel e pimenta, de acordo com The Oxford Companion to Food (Alan Davidson, Oxford). Entretanto, os italianos defendem que a especialidade nasceu quatro séculos mais tarde. 

      No século V, peregrinos franceses compareceram em peso a Roma para a Festa della Canderola. Chegaram cansados e famintos, porém movidos pela fé. O papa Gelasio, empenhado em recebê-los bem, ordenou que a cozinha do palácio pontifício fosse abastecida com tantos ovos, sacos de farinha e litros de leite quanto fosse possível. Os crepes teriam nascido ali, ao acaso. Segundo essa história, os peregrinos saborearam a novidade e levaram a fórmula para a França. Os franceses, porém, garantem que a receita nasceu em sua pátria, mais exatamente na Bretanha, no oeste do país. A região pode não ser o berço dos crepes, mas é certamente o lugar que melhor os prepara. As incontáveis crêperies se espalham pelas cidades bretãs, impregnando o ar com um aroma doce e delicado.    Os finíssimos crepes são habilmente feitos sobre chapas de metal.  Tem sido apreciado dessa forma nos campos e nas cidades da região, há centenas de anos.

    Com prestígio sempre em alta, novas maneiras de acompanhar os crepes, doces ou salgados, simples ou sofisticados, foram surgindo em diferentes localidades. A mais célebre delas foi registrada pelo mestre francês da cozinha, Auguste Escoffier, em 1903, de acordo com The Oxford Companion to Food. A receita, uma combinação de crepes e molho de laranja, flambados no restaurante à frente do cliente, teria sido uma invenção do chef francês Henri Charpentier, datada de 1896. Enquanto servia um jantar no Café Paris, em Monte Carlo, para o então príncipe Edward, de Gales, e uma acompanhante, ele fez a crêpe. Trouxe-a à mesa para flambar, perguntou o nome da acompanhante de sua majestade e batizou como ela a sobremesa que ganhou fama no mundo todo e, no início do século XX, virou sinônimo de luxo e sofisticação: crepe Suzette."



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